Ninguém progride sem renovar-se / Amilton Passos
A Tomada do Monte Castelo, em 21 Fev 1945 (nas palavras de quem esteve lá)
A Tomada do Monte Castelo, em 21 Fev 1945 (nas palavras de quem esteve lá) Cabo JOSÉ CÂNDIDO DA SILVA
“Em 21 de fevereiro de 1945 aconteceu uma das nossas maiores vitórias. Dessas que o nosso Exército pode se orgulhar e precisa comemorar. O Regimento Sampaio foi designado para tomar parte do ataque. Só quem estava lá pôde testemunhar a valentia do soldado brasileiro e a coragem que Deus nos deu para enfrentar aquilo, e eu estava lá. Fui com um tampão num olho, pois, dias antes, na explosão de uma granada, fui ferido no supercílio. O capitão disse que eu não precisava ir com a companhia, que me dispensaria. Mas eu insisti; queria ir, e fui! Naquele dia, o medo era grande, mas parece que Deus nos deu ainda mais coragem e uma disposição ainda maior”.
“Meu comandante de pelotão era o tenente Jorge. Lembro que estávamos na encosta do morro... Parece que estou vendo os aviões da FAB passando por cima do morro, bombardeando as posições alemãs. Nós, devagarzinho, subindo o pé do morro... A artilharia trabalhou bem, metendo fogo sobre as locas dos alemães... Pelo rádio, o capitão disse para o tenente avançar, mas não dava, porque a Artilharia estava ‘batendo’ a área à nossa frente. Quando a Artilharia desviou os tiros, nós avançamos. Nessa ação houve um caso muito especial. O Soldado Arlindo, da nossa Companhia (7ª), encontrou uma metralhadora Lurdinha alemã abandonada. O soldado alemão havia saído da posição para levar um recado para um oficial. O Arlindo a virou para o lado dos alemães e ajudou a proteger a nossa progressão. Avançamos! Muitos alemães debandaram; os que lá ficaram foram feitos prisioneiros”, relata Cândido.
Sargento SEVERINO FRANCISCO DE OLIVEIRA
“Entre cinco e cinco e meia da madrugada do dia 21, o pelotão estava pronto para partir para o ataque ao Monte Castelo... Foi um dia difícil; nunca o esquecerei. Quantos tiros, quantas granadas. Elas explodiam e jogavam terra e restos de troncos sobre a gente. Só havia mais troncos sobre o Monte Castelo. Chegou um momento que meu capacete de aço caiu num abismo. Aquilo era um morro do inferno mesmo. Fiquei só com o capacete de fibra... As cinco e tanto da tarde, um dos soldados nossos deu um tiro para cima, com uma granada verde, assinalando ‘Objetivo conquistado!’.
Sargento EWALDO MEYER
Assistiu ao ataque final ao Monte Castelo do posto de observação da Divisão, junto aos comandantes da infantaria, da artilharia e de unidades americanas. “De onde eu estava dava para ver perfeitamente toda a progressão do pelotão. O alemão atirava de metralhadora e todos se abaixavam; era a técnica própria do pelotão. O drama era esse: a gente vendo o pessoal sendo metralhado... Abaixavam, levantavam e seguiam em frente... Uns abaixavam e não subiam mais: haviam sido atingidos”.
O relato da enfermeira tenente VIRGÍNIA MARIA DE NIEMEYER PORTOCARRERO, datado de 21 de fevereiro de 1945, confirma a crueldade dos combates em Monte Castelo:
“Enfermaria cheia. Quanta mutilação. Quanta miséria... Na sala de operações o aspecto é terrível. Pedaços humanos recolhidos em carrinhos de mão e enterrados em enormes crateras nos fundos do hospital. Que coisa terrível é a guerra... As equipes médicas se desdobram em operações sucessivas. Os sargentos enfermeiros e nós, enfermeiras, trabalhando em horários cansativos e extenuantes... Estou escrevendo estas notas depois da noite horrorosa que passei. Larguei o serviço às 7h da manhã e já são 10h e o sono não vem. As mutilações me tiraram o sono... As chegadas foram em massa. Como sofri. São homens que nunca vi. Entretanto, sofro por eles... Que competência mostraram os cirurgiões brasileiros e americanos misturados na sala de operações salvando vidas”.
Transcrito de “Vozes da Guerra”
Um assunto para sair das sombras
Uma das coisas mais importantes que se pode fazer por uma pessoa que está vivenciando sentimentos suicidas é dar espaço para que ela possa falar sobre isso abertamente, tirar o assunto das sombras, de lugares obscuros e oferecer escuta e acolhimento. A afirmação é do terapeuta norte-americano Will Hall, escritor e professor de saúde mental americano, que participou do último Simpósio Internacional de Prevenção do Suicídio, promovido pelo CVV.
Ele defende uma abordagem dialógica e comunitária de saúde mental, conhecida como Diálogo Aberto. Escutar pessoas que já passaram por sentimento suicida, opina, é a melhor forma de os profissionais de saúde compreenderem o fenômeno. “Eu descobri, tanto através da experiência pessoal com o sentimento suicida, quanto da profissional, que as pessoas que sofrem usualmente apresentam duas questões em comum: a sensação de falta de conexão e o sentimento de ausência do controle sobre as situações. Poder falar e cuidar permite entender que a pessoa, na verdade, está querendo superar essa sensação de falta de conexão e desenvolver esperança. Essa é a necessidade básica da pessoa com sentimento suicida”, afirma Will Hall, que já foi diagnosticado com esquizofrenia e se considera um sobrevivente do suicídio.
O enfrentamento dos medos, diz ele, é uma das coisas mais importantes para lidar com os sentimentos suicidas, assim como estudá-los e aprender sobre eles. “Para que através disso possamos construir formas de responder aquilo que estamos sentindo, abrindo mão, de alguma maneira, de velhos hábitos que possam trazer este sofrimento”, destaca. Ele cita a pandemia como exemplo. “Nesse momento de coisas novas surgindo e que não sabemos exatamente o que está acontecendo, um problema que ninguém fala normalmente nos leva a um desconhecido, e este desconhecido é algo que nos dá medo, no entanto poder falar sobre isso pode reduzir este medo”, avalia.
Para Will Hall, em qualquer situação é importante poder falar abertamente sobre os sentimentos. “Quanto mais abertamente a gente consegue falar, mais a gente consegue perceber que o sentimento suicida é comum e acontece com muita frequência, ao contrário da tentativa propriamente dita, que já não é tão comum”.
Se você quiser conversar sobre os seus sentimentos e emoções, fale com o CVV pelo telefone 188 ou acesse www.cvv.org.br.
CVV Caicó (RN)
Na hipertensão arterial pulmonar - Barbara M. Hermes
- Na capacidade de exercício;- Redução da pressão sistólica da artéria pulmonar em repouso, na resistência vascular pulmonar e na pressão média da artéria pulmonar;- Alguns pacientes melhoraram de Classe Funcional III (sintomas de falta de ar desencadeados em atividades menos intensas que as cotidianas ou aos pequenos esforços) para II (sintomas leves durante atividades cotidianas);- Redução do marcador NT-próBNP (marcador de função cardíaca que é liberado em resposta ao estresse da parede ventricular);- Melhora da força muscular;- Melhora na função física;- Redução da fadiga e dispneia durante as atividades e- Melhora da força e resistência muscular inspiratória.
Para atingir todos esses benefícios, procure profissional capacitado pois, o treinamento deve ser prescrito com frequência, duração, tipo, tempo e intensidade adequada para esses pacientes.
