Foto da capa

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- Movimento Aldravista abre exposição em Brasília

“ALDRAVINTURAS – muita cor, nenhum Limite!”

À primeira vista, pontos, gotas, manchas, borrões. Aos poucos, o olhar mais demorado vai revelando sentidos construídos por tramas de traços coloridos.

A coleção“ALDRAVINTURAS – muita cor, nenhum limite”, da artista plástica mineira aldravista de Mariana, Deia Leal, convida o público ao diálogo e à livre interpretação. O espectador vai precisar de sensibilidade e de olhar demorado, para tentar desvendar as manchas e intervenções propostas pela autora.

São obras inusitadas, que passeiam por paisagens devastadas e floridas de Minas Gerais, e finalmente, intervenções artísticas em peças de roupas de pessoas falecidas, ou homenageadas pela artista.

Os quadros, construídos com acrílica e nanquim, são resultado de uma explosão de cores, apoiadas em suportes diversos como tela de algodão, papel cartão, eucatex e peças de roupas.

A artista faz parte de um grupo de filósofos, artistas e de poetas que criou o Movimento Mineiro de “Arte Aldravista”. A proposta visual alia o conceito à superação do traço, abdica-se da figuração para buscar conceituação na experimentação extrema do signo indicial de Charles Sanders Pierce (1839-1914), em que a proposição metonímica instala-se na contiguidade como propulsora da significação. A artista lança, ainda, uma nova proposta de arte sobre papel cartão, em que manchas sincronizadas pelas elaborações de jogos tonais e de padrões simbólicos da cultura das cores, aliados à erupção de temas pré-estabelecidos, fazem borbulhar narrativas. A exposição completa de uma paisagem é redundância; por isso, a ALDRAVINTURA é metonímica, é apenas uma porção insinuadora de alguma totalidade, é inicial e provocativa; é densa de proposição discursiva e instiga o espectador a construir uma narrativa do cotidiano, contígua à das políticas governamentais e pessoais que guiam os destinos das sociedades. Seja pelas significações simbólicas das cores, seja pelas cenas enunciativas dos discursos sociais de ocupação dos espaços pictóricos, a ALDRAVINTURA é uma proposta de arte que faz pensar, que exige leitura e referenciação, bem ao estilo Aldravista de fazer arte – indica um caminho (toda aldravintura tem título) e deixa o espectador segui-lo, segundo suas opções e escolhas.

Aldravismo - Sinônimo de liberdade, a arte aldravista faz referência à superação de barreiras formais de produção e expressão, à possibilidade de ousar e de criar conceitos novos. Nascido na cidade de Mariana, no ano 2000, o Aldravismo é um movimento de escritores, filósofos e artistas visuais que propõe interpretações inusitadas de eventos cotidianos. A aldrava, argola de ferro utilizada antigamente para bater nas portas, é o símbolo do movimento. Além da liberdade, o ALDRAVISMO tem outro pilar: a metonímia. Trazida da literatura para as artes plásticas, a figura de linguagem, que relaciona o todo e a parte, ganhou uma interpretação plástica e chegou às telas na forma de supressão de elementos. Não se pretende mostrar uma totalidade, mas apresentar indícios. Nas experimentações metonímicas de Deia Leal não são mostrados objetos inteiros, mas manchas, pinceladas que insinuam a intencionalidade da artista sem, contudo, impor o sentido final. O significado de cada obra será construído conjuntamente pelo espectador, conforme sua vivência, sua bagagem existencial.

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2DEIA LEAL (Andreia Donadon Leal) é poeta, contista, cronista, artista plástica, uma das criadoras da “aldravia”. Licenciada em Letras pela UFOP, Pós-graduada em Artes Visuais - Cultura e Criação, Mestre em Literatura pela UFV. Diretora de Projetos Culturais da Aldrava Letras e Artes, Presidente Fundadora da ALACIB e da ABRAAI. Membro da Academia Municipalista de Letras de Minas Gerais, e da Academia Feminina Mineira de Letras.

Autora dos seguintes livros. : 1- Nas Sendas de Bashô (quase!-haicais); 2- Cenário Noturno (poesia); 3- Aldravismo: uma proposta de arte metonímica (ensaio); 4- Ventre de Minas (poesia: Ventre); 5- Aldravias em Germinais (poesia); 6- Flora: amor, demência e outros contos (conto). 7- Essências: sonhos e frutos e luzes (poesia); 8-Depois de Minha Morte (romance) 9- Pés no Chão (crônicas). 10 – Megalumens (aldravias). 11 – Brevidades (crônicas). 12- Os quatro Meninos (literatura infantojuvenil). 13- As quatro Meninas (literatura infantojuvenil). 14- Aldravismo: uma proposta de arte metonímica. 15- Inverno: uma estação em três turnos(aldravias).

Participou de exposições coletivas internacionais representando o estado de Minas Gerais na: Espanha, Itália, Áustria, Polônia, Alemanha, República Dominicana, Argentina, México, República Tcheca, China, Tailândia, Hungria, Eslováquia, Portugal, Chile (Museu Pablo Neruda), França (Museu do Louvre). Exposições Individuais: em Mariana, Itabira, Viçosa, Juiz de Fora, Santa Bárbara, Belo Horizonte, e em setembro de 2015, no Espaço Cultural do Superior Tribunal de Justiça – DF – Brasília, coma exposição “Aldravinturas: muita cor, nenhum limite”. Medalha de Bronze da Academia de Artes, Ciências e Letras da França, fundada em 1915, em Paris, pelos relevantes serviços prestados às letras e às artes. Recebeu em 2012, a Medalha de Ouro da Academia de Mérito e Devoção Francesa – sob a égide da República Francesa, no Círculo Republicano de Paris, em março de 2012.

Por: JB Donadon - jbdonadon@jornalaldrava.com.br

 

 

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