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- Eu sou eu

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A casa era vazia no meio do mato.
Sofrida... vencida... perdida...
Lá não se via medo, lá não se via acato.
Os móveis, ah,os móveis, imóveis.
A garrafa sem graça, vazia
o cigarro apagado no cinzeiro jogado no sofá.
Foi lá que vivi meus sonhos tristonhos, risonhos
meus sonhos de tortura e meus sonhos de paz.
Tem mais: Havia a rede na grama verde.
Água benta pra aplacar a sede.
A cozinha sozinha cheirando a azeite.
A casa era calma tinha mais alma
que a a minha desesperada vida de traumas.
Meus livros jogados surrados, amassados,
meus discos de Chico rodando dando de tudo um pouco
ao meu paraíso louco.
Era só eu quem viveu mil léguas
não sei se em luz não sei se em trevas
nem sei o que fui.
As paredes amarelas quanto pediam, quanto traziam paradas, velhas.
No jardim, o amor perfeito, sem jeito,
quedava-se ao leito da grama verde.
Meu violão, minha canção porta aberta pro perdão.
Na parede o quadro enfeitado de luz onde um dia, perdido, na tela te pus.            Que pena! somente na tela tive você.                                                                                 O cachorro latindo, pedindo e o despertador,                                                              único ruído em minha vencida dor.
No chão,surrado, meu cobertor,
Era eu mesma o vento que trazia alento.
Eu mesma o sonho que em vão componho.
Eu mesma a taça, eu mesma a cachaça.
Eu mesma o tudo em meu mundo mudo,
Eu mesma a certeza de minha fortaleza.

Poema do livro de Marilia Abduani

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